sábado, 4 de abril de 2009

PAUSA E POESIA

restos de ontem não amanhece o dia & o melhor de tudo é deixar acontecer pra ver que sol vai dar, qual o caminho que aponta a inspiração & por qual canção inaugurar o silêncio da manhã. sedução de calma & poesia. nenhuma pressa me interessa. a cidade que mora em mim não se desespera. não atravessa o farol fechado, não faz o sinal da cruz & não paga pecado. nem inferno & nem paraíso, afinal, todo juízo é pouco & quando muito, exagera. contemplações à parte. preciso & necessário é reinventar a paisagem mesmo sendo simples viagem do infinito possível. acredito & levo fé. não se constrói nenhum futuro sem estar no presente. utopia não é teoria na selvageria onde brigam o querer & poder em vias de interesses & pretensões, mas sim um arco teso disparando setas cujo alvo é & sempre será a paz & o amor. digo sim, o riso & o risco na mesma companhia, desgarrados & de boca em boca, de voz em voz, o mesmo canto. a mesma surpresa da concepção & a mesma plasticidade. idade de perdurar a maravilha do sonho sobre a vida. digo amém a quem possa interessar a sintonia dos elementos poéticos que vivem em ondas de considerações, entre muitas vozes, criando elos de celebrações & encantamentos. digo sim a todos que repartem existência & convivência estimulando a reflexão entre a vida & a arte. pausa para olhar & ver & descobrir a poesia como o óbvio do novo, refazendo a festa, a farra & segurando a barra nas freqüências das paixões.


zhô bertholini

Um comentário:

  1. Um texto profundo, com traços de modernidade e melancolia. Impossível não se emocionar com o cinza retratado das nossas ruas e pela doce angústia da nossa rotina. Parabéns!

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